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Pai, filhas e legado

  • Data do post 4 de agosto de 2017
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     O Felippe é pai da Juju e da Marina. É daqueles pais orgulhosos, que tira o celular do bolso para mostrar os quadros da Marina, e que não aceita que a Juju conte dos seus feitos no trabalho pela metade. É pai exemplo e que se espelha ao mesmo tempo.
     Não à toa, está se preparando para o terceiro “emprego” de sua vida. Depois de ter sua própria empresa e atualmente trabalhar de forma autônoma, o Felippe está num movimento de mergulhar na área ambiental para restauração de matas ciliares na serra da Bocaina.
     Isso tudo surgiu depois de uma vida toda ligada à natureza – estreitada principalmente pelo surf – e a preocupação de um amigo de que o desmatamento das florestas não tinha mais volta e que a água no mundo estava prestes a acabar. O mesmo amigo foi responsável por apresentar a Bocaina a ele, e consequentemente fazê-lo trocar o mar pela montanha.
     Foi na serra que encontrou não só o refúgio que a família estava buscando há algum tempo, mas também um novo propósito para sua vida pessoal. Lá que juntou sua vocação de pai entusiasta com a energia para fazer a sua parte, para deixar um legado.
     O interesse por restaurar o terreno arrendado, e de se conectar a uma região ainda pouco explorada, fez com que ele se dedicasse a fundo na Bocaina. Depois de muita pesquisa, estudos, cursos com o Ernest Gotsch – o papa da agricultura sintrópica – e diálogos com produtores rurais locais, conseguiu cercar 3 hectares de mata ciliar ao longo principal rio da região visando recompor áreas degradadas.
     O maior desafio segundo ele tem sido conscientizar os produtores locais a mudarem seus hábitos em prol de uma coisa maior. E o mais legal é ver que depois de muitas conversas acompanhadas de cafezinhos e queijo de tábua, tem prevalecido o entendimento desses mesmos produtores para a restauração da mata ciliar localizada nas cabeceiras da maior cachoeira do rio da região. Este trabalho influi diretamente na quantidade e qualidade da água do rio e das nascentes que o abastecem, e promove a manutenção e o aumento da sua vazão diminuindo o assoreamento. “É como plantar água”.
     Importante ressaltar que a ideia não é simplesmente plantar árvores, mas sim estudar espécies nativas de cada região que de alguma forma resgatarão a vida de cada lugar através do compartilhamento de nutrientes e da condução da regeneração natural.  Ou seja, em ambientes marcados pela degradação, a exemplo de áreas ocupadas pela pecuária (com um solo pisoteado, baixa capacidade de absorção de água e sem nutrientes), não basta simplesmente plantar árvores. É necessário que se crie uma sucessão ecológica natural entre as espécies, que recupere a fauna e flora local promovendo ao longo de décadas a vida que a mata, o rio e todos nós precisamos.
     O projeto começou em uma fazenda próxima da casa e já recebeu a primeira placa de APP (Área de Preservação Permanente). A ideia é torná-lo uma rede, onde todas as pessoas que têm interesse no assunto possam contribuir de alguma forma.
     A Zerezes tem o maior interesse, e por isso, 1% de toda a receita do mês do dia dos pais, será destinado ao projeto.
     Fotografia . Vitor “Bossa” Vieira

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5 Comentários

  1. Sou amigo do Felippe no surf e no trabalho e apesar de não achar que a água potável do mundo corre qualquer risco de acabar, sou 1000% a favor de qualquer iniciativa não coercitiva privada de melhorar qualquer ambiente urbano ou rural, construído ou natural. Parabéns Felippe!!!!!

  2. Feliz daquele que planta água porque já cultivou árvore; feliz daquelas como eu que podem dizer “eu carreguei no colo um menino lindo que se transformou em plantador de águas e criador de vidas.Sou uma tia feliz

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